quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

"Reparei numa coisa. Tu escreves muito mas nunca falas de amor"

Errado! Nunca falei em nada que não envolvesse amor. O amor vai para além do "amo-te", é bem maior que qualquer palavra e nem sempre é perceptível à primeira vista. Está presente em cada texto, envolvido em pequenos enigmas invisíveis ao teu olhar formatado. Porque eu escrevo como quem ama e tu não lês como pessoa amada. Simplesmente lês. Conhece-me um pouco e percebe: eu só falo das minhas paixões. Há anos que sou incapaz de gastar uma nesga de tinta que seja a escrever sobre algo que não me cative, que não me prenda, que não preencha pelo menos um milímetro quadrado do meu coração. E sempre que a cabeça pede a caneta transforma-se numa espécie de ligação directa entre o meu coração e o meu pequeno caderno. Sem filtros. Num pequeno processo que me deixa mais a nu que qualquer duche matinal. E nem sempre essa nudez é digna ou possível de ser partilhada. O coração nem sempre nos traz a melhor das poesias. E nem sempre a melhor das poesias é possível de ser partilhada. Mas diz-me, ainda tens assim tanta certeza que eu nunca falo de amor?



1 comentário:

Helena G.S.R disse...

Muitas vezes o amor esconde-se nos mínimos detalhes.